Você já teve a sensação de que, não importa o quanto você trabalhe ou o quanto a tecnologia avance, as contas básicas (moradia, comida, educação) parecem sempre mais difíceis de pagar?
O gráfico abaixo não é apenas uma estatística, é a cena de um crime econômico ou como costumo chamar "uma forma de escravização moderna e sofisticada".

O Grande Descolamento:
Até 1971, a produtividade e os salários caminhavam lado a lado. Se o trabalhador produzia mais, ele ganhava mais. Mas a seta vermelha marca o fim oficial do acordo de Bretton Woods, o momento em que o mundo abandonou o último rastro do Padrão Ouro (que já vinha sendo desrespeitado de forma silenciosa).
O que aconteceu depois foi um divórcio histórico: A produtividade continuou subindo (linha laranja), mas o salário real estagnou (linha azul).
A Flexibilidade que custou o seu futuro:
Por que dizem que o padrão-ouro era "ruim"? Políticos e gestores alegam que ele era rígido demais para lidar com crises como a de 1929. E eles têm razão: o ouro impõe a verdade.
No padrão-ouro, se a economia ia mal, o ajuste chegava via preços e salários. Era doloroso, mas honesto.
Sem o ouro, os governos escolheram a "saída fácil": flexibilizar a moeda. Em vez de deixar os preços caírem com a eficiência tecnológica (deflação de produtividade), eles passaram a imprimir dinheiro para "estimular" a economia. O resultado? O valor do seu tempo foi diluído para salvar o sistema bancário e expandir de forma exponencial a dívida pública.
O paraíso e o pesadelo de quem sobrevive a base de dívidas:
Para um devedor (seja um governo ou uma pessoa física), a moeda é apenas a ferramenta para quitar uma dívida fixada no passado. A variação no valor dessa moeda muda completamente o peso do pagamento:
Por que detestam a Deflação? Se os preços caem, o dinheiro se torna mais valioso e escasso. Como o valor nominal da dívida está travado em contrato, o devedor precisa trabalhar muito mais ou vender muito mais produtos para pagar a mesma quantia, tornando a dívida "mais pesada" em termos reais.
Por que adoram a Inflação? A inflação derrete o valor real da moeda. O devedor paga a dívida com um dinheiro que vale muito menos do que o que ele tomou emprestado originalmente. Na prática, a inflação transfere riqueza de quem poupou (credor) para quem pegou emprestado (devedor).
A inflação é um subsídio invisível para quem deve, enquanto a deflação é um aumento punitivo do custo real da dívida. É por isso que governos, os maiores devedores do mundo, raramente aceitam o padrão ouro e sua tendência deflacionária.
O Efeito Cantillon e a Desigualdade:
Sem o lastro físico, o dinheiro novo (criado do nada) não chega a todos ao mesmo tempo. Ele beneficia quem está perto da fonte: governos e grandes instituições financeiras. Quando esse dinheiro chega ao seu bolso, o preço do imóvel e do mercado já subiu.
É por isso que hoje você produz o dobro do que seus pais produziam, mas luta para comprar a mesma casa que eles compraram.
