El Salvador apresentou o passaporte “Bitcoin Country “, programa que oferece descontos de até 10% em estabelecimentos locais para quem utilizar Bitcoin em pagamentos. A iniciativa marca nova fase na estratégia do país centro-americano de incentivar o uso cotidiano da criptomoeda, quatro anos após torná-la moeda de curso legal.
Diferente do passaporte oficial, a credencial funciona como programa de fidelidade voltado tanto para residentes quanto para turistas. O foco está em setores como hotelaria, restaurantes e serviços turísticos que aceitem BTC como forma de pagamento.
Como funciona o passaporte Bitcoin Country de El Salvador?
O programa busca reduzir a distância entre possuir Bitcoin e utilizá-lo em transações do dia a dia. Até agora, a adoção da Lei Bitcoin, aprovada em 2021, teve resultados mistos no país, com parte significativa da população ainda preferindo o dólar para transações correntes.
“Bitcoin Country fica em El Salvador. Tem uma população de aproximadamente 1 milhão de habitantes e um PIB de cerca de 5 bilhões de dólares. Todos os cidadãos são otimistas e participam direta ou indiretamente de um dos muitos centros de economia circular em torno do Bitcoin”, afirmou Max Keiser, maximalista de Bitcoin e figura próxima ao governo salvadorenho.
A eficácia do programa dependerá da adesão de estabelecimentos comerciais. Sem rede ampla de participantes, o benefício pode ficar restrito a nichos turísticos específicos, analistas apontam.
O impacto, porém, dependerá da abrangência. Para que o incentivo seja significativo, é necessário contar com uma ampla rede de estabelecimentos e proporcionar experiência clara ao usuário. Sem cobertura suficiente, o benefício pode se restringir a um gesto simbólico.
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Turismo como vetor de adoção
A aposta no turismo não é casual. Visitantes representam fluxo concentrado de consumo e tendem a estar mais abertos a experimentar formas alternativas de pagamento. O governo salvadorenho calcula que essa dinâmica pode acelerar a curva de aprendizado de comerciantes e normalizar transações em criptomoedas.
A estratégia ocorre em momento em que El Salvador busca diversificar atrações turísticas e competir com destinos consolidados na região. O “passaporte Bitcoin” visa criar diferencial para atrair público interessado em criptoativos.
Contexto político e críticas
O governo do presidente Nayib Bukele mantém defesa pública da estratégia Bitcoin, mesmo diante de críticas de organismos internacionais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já recomendou ao país rever a adoção do BTC como moeda legal, citando preocupações com volatilidade e riscos fiscais.
A comunidade cripto recebeu a iniciativa de forma majoritariamente positiva nas redes sociais, destacando que o programa incentiva uso prático sem promessas de retorno financeiro. Questionamentos sobre transparência na distribuição dos benefícios e mecanismos de avaliação de resultados, porém, persistem.
Resultados ainda por medir
O sucesso do “Bitcoin Country Passport” dependerá de métricas concretas: quantidade de estabelecimentos aderentes, volume de transações em BTC e impacto no fluxo turístico. Sem dados consistentes, o programa pode não passar de ação de marketing institucional.
El Salvador consolidou-se como caso de estudo sobre adoção estatal de criptomoedas. O novo programa representa tentativa de deslocar o debate do campo regulatório para aplicação prática, testando se incentivos econômicos diretos conseguem alterar hábitos de pagamento estabelecidos.

