Coinbase retira apoio à lei CLARITY após reescrita no Senado
O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, afirmou na noite de terça-feira que a empresa não pode mais apoiar a versão do Senado dos EUA para o projeto de lei sobre a estrutura do mercado de cripto após a introdução de mudanças amplas na CLARITY Act pelos parlamentares.
Segundo Armstrong, o rascunho do Comitê Bancário do Senado “quebra partes essenciais da estrutura do mercado” e cria riscos para ativos tokenizados, DeFi, stablecoins e mercados abertos de cripto.
A lei CLARITY acaba de mudar
A Coinbase retirou seu apoio poucas horas antes de o Senado encaminhar o projeto para a apreciação em comissão.
Ao mesmo tempo, fontes do Capitólio têm divulgado relatos não confirmados de que a análise marcada para amanhã pode ser adiada em razão da decisão da Coinbase.
Apesar de ainda serem rumores, esses relatos reforçam o aumento do risco político em torno do projeto.
Armstrong apresentou quatro preocupações principais em seu comunicado. O bloqueio de fato às ações e ativos tokenizados impede que instrumentos financeiros baseados em blockchain sejam negociados livremente em infraestruturas de cripto.
O CEO da Coinbase avalia que o projeto amplia o acesso governamental aos dados de transações DeFi, ao enquadrar protocolos descentralizados nas normas do Bank Secrecy Act e de combate à lavagem de dinheiro.
Além disso, as mudanças mais recentes concedem maior controle à SEC sobre os mercados de cripto, o que poderia trazer de volta problemas do período de Gensler para o setor.
Por fim, Armstrong apontou que o rascunho inclui regras sobre stablecoins e bancos que permitem às instituições financeiras limitar a concorrência e restringir recompensas voltadas ao setor de cripto.
O que mudou na revisão do Senado
O Comitê Bancário do Senado não irá votar o texto já aprovado pela Câmara. Em vez disso, adota uma reescrita completa conhecida como “substituição por emenda integral”.
Esse novo texto altera profundamente a regulação do mercado de cripto nos Estados Unidos.
Veja um comparativo simples dessas mudanças lado a lado.
CLARITY Act original vs. reescrita pelo Senado
A Coinbase é a maior exchange de cripto regulamentada dos Estados Unidos e possui uma das vozes mais ativas na formulação de políticas públicas em Washington.
A saída pública da empresa sinaliza aos parlamentares que o projeto pode ter perdido o apoio do setor em um momento decisivo.
Esse ponto é relevante porque os comitês bancário e de agricultura do Senado dependem de apoio bipartidário para avançar com a proposta.
O que acontece em seguida para o CLARITY Act?
A expectativa era de que o Senado iniciasse a fase de discussões na comissão esta semana, período no qual os parlamentares debatem e votam emendas formalmente.
No entanto, após o comunicado da Coinbase, algumas fontes de políticas públicas afirmam que a liderança pode adiar ou cancelar a análise para evitar perda pública de apoio.
Por enquanto, o projeto segue indefinido. Contudo, a disputa pelo controle das regras para cripto, stablecoins e DeFi nos Estados Unidos entra em seu estágio mais delicado até agora.
O que as baleias de cripto estão comprando com o mercado em alta?
O impulso do mercado de cripto ganhou força após os dados de inflação dos EUA registrarem estabilidade. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI sigla em inglês) de dezembro subiu 2,7% em comparação ao ano anterior, em linha com as expectativas e ainda em processo de desaceleração. Isso aliviou a pressão sobre cortes de juros no curto prazo e elevou o apetite por risco nos mercados. Algumas baleias (grandes investidores) do setor cripto demonstraram atenção ao movimento e estão comprando.
Ainda assim, as movimentações desses grandes investidores vêm sendo comedidas e não eufóricas. Em vez de perseguirem a alta, investidores com grandes posições ampliaram exposição a três tokens, acompanhando níveis técnicos relevantes e sinalizando preparação, não exposição cega ao risco.
Dogecoin (DOGE)
A Dogecoin volta a atrair interesse de grandes investidores enquanto o mercado se fortalece. Nas últimas 24 horas, a DOGE valorizou cerca de 5,9%, acumulando ganho de aproximadamente 7,6% em 30 dias. Embora o avanço seja moderado, ocorre em um ponto técnico importante.
Dados on-chain apontam que grandes investidores de cripto que têm entre 10 milhões e 100 milhões de DOGE aumentaram suas posições nesse período. Nas últimas 24 horas, esse grupo elevou as posses de 17,60 bilhões para 17,76 bilhões de DOGE, adquirindo 160 milhões de tokens, o equivalente a cerca de US$ 23,5 milhões em compras.
Dogecoin Whales: Santiment
O gráfico ajuda a entender por que esses investidores entram neste momento. No período diário, a Dogecoin retomou as médias móveis exponenciais (EMAs) de 20 e 50 dias, que dão maior peso aos preços recentes e são usadas para sinalizar mudanças iniciais de tendência.
Esse cenário é relevante porque, da última vez que a DOGE recuperou a EMA de 20 dias, e em seguida a de 50 dias na mesma sequência, foi no início de julho. Esse movimento foi seguido por uma alta de cerca de 73%, período em que também ocorreu o cruzamento positivo da EMA de 20 dias acima da EMA de 50 dias.
Agora, a EMA de 20 dias se aproxima da EMA de 50 dias, configurando possibilidade de novo cruzamento positivo.
A partir daqui, o primeiro nível observado por grandes investidores é US$ 0,154, que está 4,6% acima da cotação atual. Uma quebra consistente desse patamar atrairia as EMAs de 100 e 200 dias como próximas resistências. Superar essas marcas representaria uma mudança de tendência relevante, potencializando até mesmo um retorno de DOGE a US$ 0,209.
DOGE Price Analysis: TradingView
Pela ótica negativa, perder as linhas das EMAs de 20 e 50 dias enfraqueceria o viés altista e pode até expor o nível de US$ 0,115 para a DOGE.
Chainlink (LINK)
A LINK registra entrada de grandes investidores pelo segundo dia seguido. Embora as posses tenham caído entre 12 e 13 de janeiro, o novo impulso de alta no segmento cripto reaqueceu a demanda. A Chainlink (LINK) acumula alta próxima de 6% nas últimas 24 horas; a cotação testa faixa de resistência técnica após correção controlada.
Dados on-chain indicam que grandes investidores voltaram discretamente. No último dia, as posses subiram de 503,20 milhões para 503,42 milhões de LINK, uma adição de cerca de 220 mil LINK. Ao preço atual, esse volume corresponde a aproximadamente US$ 3,1 milhões em novas compras. Embora a dimensão seja inferior a fases de compra agressiva, o momento chama atenção.
Chainlink Whales: Santiment
O gráfico mostra por que os grandes investidores estão se posicionando. No início deste mês, a LINK recuou após um alerta de perda de força. Entre 9 de dezembro e 6 de janeiro, o preço estabeleceu máxima descendente enquanto o Índice de Força Relativa (RSI) formou máxima ascendente. O RSI compara ganhos e perdas recentes, medindo momentum. Esse descompasso sinalizou enfraquecimento e estimulou a correção.
Agora, essa correção se mostra construtiva, não baixista. O movimento de preço durante o recuo desenhou o “cabo” de uma estrutura conhecida como xícara-com-cabo, e LINK testa a região do pescoço desse padrão.
Para confirmação, a LINK precisa fechar acima de US$ 14,10 em base diária e depois sustentar força acima de US$ 15,04. Se isso ocorrer, a projeção do padrão aponta para US$ 17,62, aproximadamente 25% além dos níveis atuais. Esse possível ganho ajuda a explicar por que grandes investidores voltam à LINK, mesmo após recentes avanços.
LINK Price Analysis: TradingView
No cenário de baixa, uma movimentação abaixo de US$ 12,97 enfraqueceria o cenário, enquanto uma queda abaixo de US$ 11,73 o invalidaria totalmente.
Uniswap (UNI)
A Uniswap registra uma acumulação cautelosa por parte de grandes investidores de cripto, enquanto o preço se aproxima de um patamar considerado tecnicamente relevante. A UNI subiu cerca de 5,5% nas últimas 24 horas, mas a movimentação desses investidores ainda indica cautela, não perseguição agressiva por alta.
Desde 13 de janeiro, essas carteiras aumentaram suas posições em UNI de 549,37 milhões para 549,57 milhões de tokens, adicionando 200 mil UNI. Aos valores atuais, isso corresponde a um acúmulo em torno de US$ 1,1 milhão.
Grandes investidores UNI: Santiment
O gráfico indica essa cautela. A Uniswap está logo abaixo de sua média móvel exponencial de 20 dias (EMA).
Grandes investidores parecem estar se posicionando antecipadamente, mas aguardam confirmação. Um fechamento diário acima da EMA de 20 dias, combinado com avanço rumo à EMA de 50 dias, reforçaria o cenário de alta para a UNI. Acima desses níveis, as resistências aparecem em US$ 5,98 e, depois, em US$ 6,57, com US$ 8,13 possível caso o ambiente de mercado permaneça favorável.
Análise de preço da Uniswap: TradingView
Se a recuperação não se confirmar, o risco de queda permanece. Perder a faixa de US$ 5,28 enfraqueceria o cenário e poderia abrir espaço para US$ 4,74 no curto prazo.
Polymarket estima em 14% chance de impeachment de ministro do STF até 2027
A plataforma Polymarket criou um mercado que permite aos usuários apostarem sobre a possibilidade de algum ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ser removido por impeachment antes de 2027. Atualmente, o mercado precifica essa chance em apenas 14%, com queda de 2 pontos percentuais nas últimas negociações.
O volume financeiro envolvido nas apostas soma US$ 275 (cerca de R$ 1.500), montante considerado baixo para os padrões da plataforma, o que indica ainda um interesse moderado no tema. A data final estabelecida para a resolução do mercado é 31 de dezembro de 2026.
Volatilidade recente
O gráfico de oscilação dos últimos dias mostra que as apostas sobre o impeachment chegaram a atingir picos acima de 16% entre os dias 9 e 10 de janeiro, mas recuaram posteriormente. Nos últimos dois dias, houve nova elevação gradual, levando a probabilidade dos atuais 14%.
Contexto político
O mercado surge em meio a debates sobre o papel do STF na política brasileira e discussões recorrentes no Congresso Nacional sobre possíveis mecanismos de controle das decisões da Corte. Para que um ministro do STF seja afastado por impeachment, é necessária aprovação de dois terços do Senado Federal (54 dos 81 senadores) por crime de responsabilidade.
Historicamente, nenhum ministro do STF foi removido por impeachment desde a redemocratização do país em 1988, o que contribui para a baixa probabilidade precificada no mercado.
A plataforma não especifica qual ministro seria alvo do eventual processo, deixando em aberto a aposta para qualquer um dos 11 integrantes atuais da Corte.
Alagoas: Mineração ilegal de Bitcoin desviava energia e causou prejuízo de R$ 750 mil
A Polícia Civil desarticulou na última sexta-feira (9) quatro fazendas clandestinas de mineração de Bitcoin no município de Porto Real do Colégio, em Alagoas. A operação revelou esquema sofisticado de furto de energia elétrica e captação irregular de água que funcionou por cinco meses antes de ser descoberto.
As fazendas clandestinas utilizavam ligações diretas e ilegais à rede de distribuição de energia, os chamados “gatos”, para alimentar equipamentos de mineração de alta performance. Essa estrutura permitia que os operadores evitassem os custos elevados de eletricidade, elemento central no negócio de mineração de criptomoedas.
Os criminosos também instalaram sistema de bombeamento irregular de água do Rio São Francisco. A água era essencial para refrigerar os ASICs (circuitos integrados de aplicação específica), equipamentos que geram calor intenso durante o processo de mineração e exigem resfriamento constante para funcionar adequadamente.
Impacto na infraestrutura local
O consumo ilegal de energia foi estimado em cerca de 200 mil kWh — equivalente ao uso moderado de aproximadamente mil residências. Segundo o delegado Thales Araújo, diretor da Diretoria de Inteligência Policial (Dinpol), essa demanda excessiva provocava instabilidade na rede elétrica regional.
O consumo era de tamanho causava picos de energia nos arredores, provocando queima de aparelhos eletrodomésticos e prejuízos significativos à população de acordo com o delegado.
As autoridades calculam que a estrutura de mineração ilegal de Bitcoin gerava prejuízo mensal de R$ 155 mil em energia furtada. Em cinco meses de operação irregular, o valor total chegou a cerca de R$ 750 mil.
“Uma operação de mineração regularizada exige alto investimento em maquinário e elevados custos de manutenção. No caso em questão, os criminosos simplesmente desviavam esses custos para o sistema público”, afirmou o delegado.
Diferença entre mineração legal e ilegal
Araújo frisou que a atividade de mineração de criptomoedas não é ilegal por si só. O crime está nas condições de instalação e operação: furto de energia, captação irregular de água e ausência de regularização ambiental e tributária.
A operação foi coordenada pela Dinpol com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE). As autoridades apreenderam diversos ASICs e equipamentos tecnológicos utilizados na mineração.
Investigação em andamento
As investigações prosseguem para identificar todos os envolvidos. Segundo a polícia, esse tipo de operação criminosa costuma estar associada a outros delitos, como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, que seguem sob apuração.
A Polícia Civil trabalha para responsabilizar criminalmente os operadores das fazendas clandestinas.
Brasil investiga Meta por restringir IAs concorrentes no WhatsApp Business
Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu inquérito administrativo contra a Meta por suspeita de abuso de posição dominante no mercado de inteligência artificial. A investigação foi deflagrada após a empresa alterar os termos de uso do WhatsApp Business em outubro de 2025, limitando o uso de assistentes de IA apenas à sua própria ferramenta, a Meta AI.
A Superintendência-Geral do Cade determinou a suspensão preventiva dos novos termos até conclusão da análise. A medida busca preservar as condições atuais de concorrência e garantir a efetividade da investigação.
Cade investiga Meta após denúncias
As investigações começaram após denúncias de empresas que desenvolvem assistentes de inteligência artificial para WhatsApp e Facebook. Segundo as denunciadoras, a Meta passou a proibir que ferramentas de IA de terceiros operem no WhatsApp Business, restringindo o mercado exclusivamente à Meta AI.
Para o Cade, a mudança unilateral nos termos de uso representa medida desproporcional. A autarquia avalia se as alterações têm potencial de fechar mercados, excluir concorrentes e favorecer indevidamente a solução proprietária da Meta.
Meta alega sobrecarga de infraestrutura
Em sua defesa, a Meta argumenta que o WhatsApp Business foi desenvolvido para atender clientes da empresa, não para suportar chatbots de inteligência artificial de terceiros. Segundo a companhia, essas ferramentas externas estariam sobrecarregando a infraestrutura da plataforma de mensagens.
A big tech reformulou os termos do WhatsApp Business Solution Terms em outubro passado, excluindo a possibilidade de uso de tecnologias alternativas à Meta AI na plataforma corporativa.
Próximos passos da investigação
Com a instauração do inquérito, a Meta será notificada para se manifestar formalmente. A Superintendência-Geral também coletará informações junto ao mercado para avaliar os indícios de infração à ordem econômica.
Ao final do procedimento, o Cade poderá decidir pela abertura de processo administrativo ou pelo arquivamento do caso.
Contexto internacional
O Cade destacou que práticas de abuso de posição dominante em mercados digitais envolvendo ferramentas de inteligência artificial têm sido alvo de investigações em diversos países. Assim, o caso em que o Cade investiga Meta se insere nesse contexto global, com o tema seguindo sob atenção de autoridades de defesa da concorrência no Brasil e no exterior.
A decisão do órgão antitruste brasileiro ocorre em momento de crescente escrutínio regulatório sobre grandes empresas de tecnologia e suas estratégias em mercados emergentes como o de IA.
Campo Grande se torna primeira cidade brasileira a criar marco legal para blockchain
Campo Grande sancionou lei que oficializa a cidade como Polo de Inovação em Blockchain e Economia Digital, tornando-se a primeira capital brasileira a estabelecer marco regulatório municipal específico para tecnologias descentralizadas. A prefeita Adriane Lopes sancionou o projeto de autoria dos vereadores Maicon Nogueira e Ronilço Guerreiro, aprovado em regime de urgência pela Câmara Municipal.
A legislação autoriza incentivos fiscais para empresas que desenvolvem soluções em blockchain, mas condiciona os benefícios ao cumprimento de contrapartidas sociais, ambientais e de desenvolvimento tecnológico. O texto também prevê uso gradual da tecnologia em serviços públicos municipais.
Os benefícios, no entanto, não são automáticos. As companhias interessadas precisam cumprir contrapartidas que incluem compromissos sociais, ambientais e de desenvolvimento tecnológico. Essa exigência garante que o crescimento econômico venha acompanhado de responsabilidade corporativa e contribuições efetivas para a comunidade local.
A medida oferece respaldo institucional inédito no país para profissionais e acadêmicos que já utilizam infraestrutura descentralizada. Com o reconhecimento legal, Campo Grande espera consolidar sua posição como destino seguro para capitais da nova economia digital.
Modernização da gestão pública com blockchain
Além dos estímulos ao setor privado, a nova lei prevê a adoção gradual de ferramentas digitais baseadas em blockchain nos serviços públicos municipais. O objetivo central é elevar os padrões de transparência e eficiência na gestão da prefeitura, otimizando o atendimento ao cidadão.
A tecnologia blockchain, caracterizada por seu sistema de registro seguro e imutável, oferece proteção contra adulterações de informações críticas. Essa característica torna a solução especialmente adequada para processos administrativos que exigem confiabilidade e rastreabilidade, como registros de documentos, licitações e contratos públicos.
A implementação dessas ferramentas representa uma modernização significativa na infraestrutura administrativa da capital, alinhando-a às melhores práticas internacionais de governança digital.
Conselho municipal de inovação digital
Para garantir a execução efetiva das políticas públicas, a legislação cria o Conselho Municipal de Inovação Digital. Este órgão inédito terá a função de propor diretrizes específicas e monitorar a integração entre o setor público, empresas de tecnologia e sociedade civil.
O conselho funcionará como mediador estratégico, mantendo o ecossistema atualizado diante das rápidas transformações do mercado tecnológico. A estrutura promoverá a ponte entre o setor produtivo, universidades e poder público, buscando sinergia nas iniciativas relacionadas à economia digital.
Entre as atribuições do conselho está o fomento a pesquisas acadêmicas avançadas em áreas como criptografia e redes de dados. Essa colaboração visa preparar a mão de obra local para lidar com as novas dinâmicas financeiras globais, aumentando a empregabilidade de profissionais da região.
Segurança jurídica para investidores
Os legisladores destacam que a agenda estabelecida pela nova lei prepara a capital sul-mato-grossense para os desafios econômicos dos próximos anos. A formalização do título de Polo de Inovação oferece a segurança jurídica necessária para que investidores nacionais e internacionais considerem Campo Grande como destino para seus projetos.
A medida transforma a capital em um centro de referência nacional para negócios da Web3, termo que designa a nova geração da internet baseada em tecnologias descentralizadas. Esse posicionamento estratégico pode atrair não apenas empresas consolidadas, mas também incentivar o surgimento de novos empreendimentos de base tecnológica na região.
Com a sanção oficial, Campo Grande demonstra que cidades brasileiras podem liderar processos de inovação tecnológica quando existe vontade política e planejamento adequado. A iniciativa serve de modelo para outras capitais que desejam desenvolver seus ecossistemas digitais e atrair investimentos em tecnologias emergentes.
A legislação entra em vigor imediatamente, dando início a uma nova fase no desenvolvimento econômico e tecnológico de Campo Grande, que agora se posiciona como pioneira nacional na adoção institucional da tecnologia blockchain.
El Salvador lança “passaporte Bitcoin” com descontos de até 10% para impulsionar uso de BTC
El Salvador apresentou o passaporte “Bitcoin Country “, programa que oferece descontos de até 10% em estabelecimentos locais para quem utilizar Bitcoin em pagamentos. A iniciativa marca nova fase na estratégia do país centro-americano de incentivar o uso cotidiano da criptomoeda, quatro anos após torná-la moeda de curso legal.
Diferente do passaporte oficial, a credencial funciona como programa de fidelidade voltado tanto para residentes quanto para turistas. O foco está em setores como hotelaria, restaurantes e serviços turísticos que aceitem BTC como forma de pagamento.
Como funciona o passaporte Bitcoin Country de El Salvador?
O programa busca reduzir a distância entre possuir Bitcoin e utilizá-lo em transações do dia a dia. Até agora, a adoção da Lei Bitcoin, aprovada em 2021, teve resultados mistos no país, com parte significativa da população ainda preferindo o dólar para transações correntes.
“Bitcoin Country fica em El Salvador. Tem uma população de aproximadamente 1 milhão de habitantes e um PIB de cerca de 5 bilhões de dólares. Todos os cidadãos são otimistas e participam direta ou indiretamente de um dos muitos centros de economia circular em torno do Bitcoin”, afirmou Max Keiser, maximalista de Bitcoin e figura próxima ao governo salvadorenho.
A eficácia do programa dependerá da adesão de estabelecimentos comerciais. Sem rede ampla de participantes, o benefício pode ficar restrito a nichos turísticos específicos, analistas apontam.
O impacto, porém, dependerá da abrangência. Para que o incentivo seja significativo, é necessário contar com uma ampla rede de estabelecimentos e proporcionar experiência clara ao usuário. Sem cobertura suficiente, o benefício pode se restringir a um gesto simbólico.
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Turismo como vetor de adoção
A aposta no turismo não é casual. Visitantes representam fluxo concentrado de consumo e tendem a estar mais abertos a experimentar formas alternativas de pagamento. O governo salvadorenho calcula que essa dinâmica pode acelerar a curva de aprendizado de comerciantes e normalizar transações em criptomoedas.
A estratégia ocorre em momento em que El Salvador busca diversificar atrações turísticas e competir com destinos consolidados na região. O “passaporte Bitcoin” visa criar diferencial para atrair público interessado em criptoativos.
Contexto político e críticas
O governo do presidente Nayib Bukele mantém defesa pública da estratégia Bitcoin, mesmo diante de críticas de organismos internacionais. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já recomendou ao país rever a adoção do BTC como moeda legal, citando preocupações com volatilidade e riscos fiscais.
A comunidade cripto recebeu a iniciativa de forma majoritariamente positiva nas redes sociais, destacando que o programa incentiva uso prático sem promessas de retorno financeiro. Questionamentos sobre transparência na distribuição dos benefícios e mecanismos de avaliação de resultados, porém, persistem.
Resultados ainda por medir
O sucesso do “Bitcoin Country Passport” dependerá de métricas concretas: quantidade de estabelecimentos aderentes, volume de transações em BTC e impacto no fluxo turístico. Sem dados consistentes, o programa pode não passar de ação de marketing institucional.
El Salvador consolidou-se como caso de estudo sobre adoção estatal de criptomoedas. O novo programa representa tentativa de deslocar o debate do campo regulatório para aplicação prática, testando se incentivos econômicos diretos conseguem alterar hábitos de pagamento estabelecidos.
XRP sobe 4% após Ripple obter sinal verde para licença regulatória em Luxemburgo
O preço do XRP subiu 4% nesta quarta-feira (14), cotado a US$ 2,14, após relatos de que a Ripple obteve aprovação preliminar para uma licença de Instituição de Dinheiro Eletrônico (EMI) em Luxemburgo.
O avanço regulatório marca expansão estratégica da empresa de pagamentos blockchain na Europa.
Aprovação preliminar permite expansão na UE
A Ripple informou que a Commission de Surveillance du Secteur Financier (CSSF), regulador financeiro luxemburguês, concedeu sinal verde inicial para a licença EMI, sujeito ao cumprimento de condições adicionais.
Se confirmada, a autorização permitirá que a Ripple ofereça serviços de pagamento regulados envolvendo stablecoins e outros ativos digitais em toda a União Europeia. O sistema de passaporte europeu possibilita operação em diversos países do bloco usando Luxemburgo como base regulatória, sem necessidade de licenças específicas em cada jurisdição.
Desempenho do preço do XRP. Fonte: BeInCrypto Luxemburgo como hub estratégico
A escolha de Luxemburgo posiciona o país como peça central na estratégia europeia da Ripple. Uma licença EMI permite à empresa atuar conforme regras padronizadas da UE, garantindo acesso a múltiplos mercados com um único processo regulatório.
Para um setor sujeito a exigências crescentes de compliance, a capacidade de expandir operações em conformidade com normas internacionais representa vantagem competitiva significativa.
Mercado reage positivamente
Investidores demonstraram otimismo com a notícia. O XRP, que estava cotado a US$ 2,14 no momento da publicação, registrou alta de quase 4% após o anúncio, refletindo expectativas sobre o impacto da expansão regulatória da Ripple na Europa.
Apesar de reações de preço a questões regulatórias serem frequentemente instáveis, a aprovação em Luxemburgo reforça a percepção de que a Ripple se consolida como uma das empresas de cripto mais alinhadas a padrões institucionais nos grandes mercados financeiros.
“A UE esteve entre as primeiras grandes jurisdições a apresentar normas abrangentes para ativos digitais, fornecendo a segurança necessária para que instituições financeiras avancem da fase piloto para operações de escala em blockchain”, disse Monica Long, presidente da Ripple, em comunicado, ao descrever a aprovação em Luxemburgo como parte de uma ampla iniciativa para modernizar a infraestrutura de pagamentos internacionais.
Cassie Craddock, diretora-geral da Ripple para o Reino Unido e Europa, afirmou que a abordagem regulatória de Luxemburgo tornou o país um polo de inovação financeira.
Ela destacou ainda que a aprovação preliminar permite à Ripple oferecer infraestrutura de blockchain em conformidade para clientes em toda a União Europeia.
Mercado cripto pode reagir em 2026 com três catalisadores decisivos no radar
A liquidez do mercado cripto ficou desigual em 2025, segundo a market maker Wintermute. O capital de investidores concentrou-se em um pequeno grupo de tokens, enquanto grande parte do mercado enfrentou dificuldades para ganhar fôlego.
À medida que o mercado cripto se distancia dos ciclos anteriores, a empresa identificou três fatores importantes que podem abrir caminho para uma recuperação mais ampla em 2026.
Liquidez de cripto ficou concentrada no topo em 2025
No relatório de 2025 sobre o mercado OTC de ativos digitais, a Wintermute apontou que o ano colocou em xeque muitas das premissas do segmento de criptomoedas. O documento também destacou uma mudança ampla no funcionamento da liquidez no setor.
Normalmente, nos mercados cripto, o capital seguia um padrão cíclico, iniciando pelo Bitcoin como principal porta de entrada, migrando depois para o Ethereum quando o ritmo do BTC diminuía.
Depois, os recursos passavam para altcoins de grande capitalização e posteriormente para as de menor porte conforme o apetite ao risco aumentava. Entretanto, isso não ocorreu em 2025.
A market maker apurou que, em 2025, a movimentação ficou fortemente centralizada em Bitcoin e Ethereum, além de um pequeno núcleo de tokens de grande capitalização. Dessa forma, a liquidez se tornou cada vez mais concentrada, com o capital se agrupando em grandes ativos, sem se espalhar de modo generalizado pelo mercado.
“O capital deixou de se espalhar por todo o mercado. Agora, a liquidez ficou mais restrita e distribuída de forma desigual, provocando maior divergência nos retornos e movimentação”, destacou o relatório.
Dinâmica da liquidez em 2025. Fonte: Wintermute
Segundo a análise, essa transformação foi impulsionada por fundos negociados em bolsa (ETFs) e tesourarias de ativos digitais (DATs). Até pouco tempo, stablecoins e aportes diretos eram as principais portas de entrada no mercado cripto.
“Contudo, ETFs e DATs alteraram estruturalmente o direcionamento da liquidez no ecossistema”, relatou a Wintermute. “Como citado, seus mandatos estão se expandindo e começam a admitir exposição além de BTC e ETH, entrando principalmente em outros tokens de grande capitalização; porém, esse movimento é gradual, então os benefícios para a altcoin vão demorar a aparecer.”
O resultado foi a retração do alcance do mercado e o aumento das divergências nos retornos, indicando alocação de recursos de forma mais seletiva, e não rotacionalmente. Esse comportamento é perceptível nos desempenhos dos setores de altcoin e memecoin.
O relatório enfatizou que a duração das altas das altcoins caiu consideravelmente em relação a anos anteriores. Entre 2022 e 2024, os ralis costumavam durar de 45 a 60 dias.
Já em 2025, houve uma forte queda na duração, com a persistência média dos ralis recuando para cerca de 20 dias. O declínio ocorreu mesmo diante do surgimento constante de novos temas, como launchpads de memecoins, DEXs perpétuas e a narrativa x402.
“Essas narrativas trouxeram picos pontuais de atividade, mas não resultaram em altas duradouras e abrangentes. Isso reflete ambiente macroeconômico instável, exaustão do mercado após excessos do ano anterior e insuficiente liquidez em altcoins para sustentar tendências além da primeira fase. Assim, as altas das altcoins tiveram mais perfil tático do que de movimentos de convicção”, observou o relatório.
A Wintermute também destacou o desempenho das memecoins em 2025. O estudo revelou que a capitalização agregada dessas moedas caiu expressivamente após o primeiro trimestre. Além disso, o segmento não conseguiu retomar faixas relevantes de suporte. Pequenos picos de movimentação chegaram a ocorrer, mas não conseguiram reverter a tendência predominante de queda.
O relatório mencionou episódios curtos de volatilidade, como a disputa entre os launchpads de memecoins Pump.fun e LetsBonk em julho, ilustrando o interesse localizado de negociação que não se traduziu em retomada consistente do mercado.
Wintermute apresenta três cenários para uma recuperação mais ampla do mercado em 2026
A Wintermute afirmou que uma reversão do cenário de 2025 exigiria pelo menos um dos três fatores a seguir:
Maior exposição institucional: A maior parte da nova liquidez em cripto chega por ETFs e tesourarias de ativos digitais, mas segue concentrada. Uma recuperação mais ampla dependeria da “ampliação do universo investível”.
Nova força dos grandes ativos: Um forte rali de Bitcoin ou Ethereum poderia criar efeito de riqueza. Porém, não está claro se o capital fluiria para o restante do mercado.
Volta da atenção do investidor pessoa física: Uma mudança do interesse em ações de volta para cripto poderia trazer novos aportes, embora a Wintermute considere esse cenário menos provável.
O relatório conclui que, em 2026, o mercado dependerá de um desses catalisadores para expandir a liquidez além dos grandes ativos.
Bitcoin atinge maior valor em 50 dias com escalada das tensões entre EUA e Irã
O Bitcoin ultrapassou US$ 95.000 nesta terça-feira, atingindo o maior patamar em mais de 50 dias, impulsionado por uma combinação de sinais de alívio na inflação dos EUA e o aumento de tensões geopolíticas, o que levou a uma movimentação expressiva nos mercados de cripto.
O movimento de alta ocorreu após um alerta do Departamento de Estado dos EUA orientando cidadãos americanos a “… deixem o Irã agora” e a se prepararem para possíveis quedas prolongadas de comunicação.
O aviso foi emitido em meio à onda de protestos em diversos pontos do Irã e ao endurecimento do discurso de Washington sobre Teerã, aumentando temores de uma ampliação do conflito regional.
CPI dos EUA elimina risco macroeconômico enquanto tensão geopolítica reforça papel do bitcoin como proteção
A recomendação de viagem dos EUA ao Irã funcionou como mais um impulso. Em cenários de risco de guerra, mercados costumam buscar ativos alternativos ou vistos como refúgio.
O Bitcoin tem se consolidado como proteção diante de crises globais. O risco de escalada no Oriente Médio, aliado aos bloqueios da internet no Irã, reforçou a função da moeda como ativo fora do controle estatal.
Com a intensificação das notícias, negociadores aceleraram compras em Bitcoin e outros ativos cripto de alta liquidez.
O Bitcoin, que iniciou o dia próximo de US$ 91.000, saltou mais de 5% em poucas horas. O mercado mais amplo também acompanhou o movimento, com fortes altas de Ethereum, Solana e XRP.
A alta começou mais cedo, após o Índice de Preços ao Consumidor dos EUA indicar inflação estável. Os preços seguem subindo, mas sem aceleração.
Esse cenário é relevante para o setor de cripto. Com inflação sob controle, o Federal Reserve não precisa aumentar juros, minimizando o risco de recessão provocada por ajuste agressivo.
Para quem investe, isso representa ambiente mais favorável à manutenção de ativos de risco como o Bitcoin. O CPI afastou um dos principais riscos de queda justamente enquanto o ativo se estabilizava após semanas de vendas relacionadas a ETFs.
Gráfico de preços do Bitcoin em 24 horas de 13 de janeiro de 2026. Fonte: CoinGecko Sinais de mercado em alta estão se formando novamente
O movimento não foi inesperado. No início de janeiro, ETFs de Bitcoin à vista dos EUA registraram mais de US$ 6 bilhões em saídas, quando investidores da alta de outubro deixaram o mercado acumulando perdas.
Esse volume pressionou o Bitcoin para próximo da faixa de custo dos ETFs, em torno de US$ 86.000, onde a pressão diminuiu. Os fluxos dos ETFs se estabilizaram desde então, apontando que a fase mais intensa de vendas ficou para trás.
Ao mesmo tempo, dados de exchanges indicaram que compradores globais absorveram a oferta resultante dessas vendas, enquanto instituições dos EUA preferiram esperar em vez de deixarem o mercado. O prêmio da Coinbase ficou negativo, o que sinaliza cautela, e não liquidação.
Gráfico de quedas dos ETFs de Bitcoin. Fonte: CryptoQuant Bitcoin pode recuperar US$ 100 mil?
O ativo voltou a superar US$ 93.000 após a divulgação do CPI, mostrando que a pressão vendedora perdeu força. O rompimento de US$ 95.000 confirmou a presença de nova demanda.
Com inflação controlada e a pressão dos ETFs diminuindo, o fator geopolítico foi o gatilho que estimulou nova alocação de capitais ao mercado.
Por ora, o Bitcoin retoma tração após ajuste de ciclo intermediário. Se houver retomada de entradas nos ETFs e o risco geopolítico permanecer elevado, estrategistas projetam o teste dos US$ 100.000 como novo patamar relevante.
O movimento atual indica que o Bitcoin segue atuando tanto como ativo macroeconômico quanto proteção diante de crises, em um cenário internacional mais instável.
Acordo UE-Mercosul impulsiona debate sobre stablecoins
A aprovação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul pode elevar as exportações brasileiras em até US$ 7 bilhões, segundo estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil). O pacto cria um mercado de aproximadamente US$ 22 trilhões, reunindo mais de 700 milhões de consumidores entre os dois blocos.
O aumento projetado no volume de comércio reforça um problema estrutural pouco discutido: enquanto acordos comerciais reduzem barreiras tarifárias, a infraestrutura de pagamentos internacionais permanece lenta e custosa.
“Hoje, pagamentos internacionais ainda dependem de múltiplos intermediários, prazos imprevisíveis e estruturas pouco transparentes. Em cadeias longas, como as do agronegócio, essa ineficiência afeta diretamente o fluxo de caixa, planejamento financeiro e competitividade”, explica Nildson Alves, CEO da Onda Finance, fintech especializada em operações cambiais.
Atualmente, transferências via SWIFT — sistema dominante no comércio global — levam entre 1 e 5 dias úteis para conclusão, com custos que variam de 2% a 5% sobre o valor da operação, segundo dados de instituições financeiras.
Mercado de stablecoins atinge US$ 311 bilhões: acordo UE-Mercosul pode impulsionar ainda mais
Nesse contexto, cresce o interesse por stablecoins como alternativa para pagamentos transfronteiriços. O mercado dessas criptomoedas lastreadas em moeda tradicional encerrou 2025 com capitalização de US$ 311 bilhões e registrou mais de US$ 28 trilhões em transações globais — volume que supera, somadas, as operações de Visa e Mastercard no período, segundo dados do Mercado Bitcoin.
“As stablecoins permitem liquidação quase imediata, reduzem intermediários e diminuem custos. Mas o ganho mais relevante está no acesso direto à liquidez dolarizada, com previsibilidade e rastreabilidade”, afirma Alves. Para empresas exportadoras, a tecnologia significa reduzir exposição cambial no curto prazo e estruturar pagamentos internacionais de forma mais eficiente.
A Bloomberg Intelligence projeta que os fluxos de pagamentos com stablecoins podem atingir US$ 56 trilhões até 2030, crescimento anual de 81% em relação aos US$ 2,9 trilhões registrados em 2025.
Casos práticos no comércio exterior
No Brasil, cerca de 70% a 80% das negociações de criptoativos já envolvem stablecoins, segundo análise da Bitybank. A fintech brasileira Lumx, especializada em pagamentos internacionais com essas moedas digitais, transacionou cerca de R$ 1 bilhão em 2025 atendendo 20 clientes corporativos.
“Em uma exportação do Brasil para a Espanha, o modelo tradicional pode levar vários dias para concluir o pagamento, passando por diferentes bancos e sistemas. Com stablecoins, essa mesma operação pode ser liquidada em poucas horas, com rastreabilidade total da transação”, exemplifica o CEO da Onda Finance.
Além disso, essa infraestrutura permite estruturar antecipação de recebíveis ou financiamento da operação, utilizando liquidez dolarizada de forma programática, com regras claras de liberação de recursos e garantias.
Infraestrutura e regulação
A adoção empresarial ainda enfrenta barreiras. A partir de 2026, empresas que operam com criptoativos no Brasil precisarão obter licenças que exigem capital de R$ 2 milhões a R$ 5 milhões, segundo regulamentação em fase de implementação.
Apesar disso, o ambiente regulatório vem evoluindo. A União Europeia aprovou em 2024 a regulamentação MiCA para ativos digitais, enquanto nos Estados Unidos a Lei GENIUS, sancionada em julho de 2025, criou estrutura para stablecoins. Empresas como Western Union e MoneyGram anunciaram integração de stablecoins em suas plataformas de remessas para 2026.
“A evolução regulatória no Brasil e no exterior vem criando um ambiente cada vez mais favorável para esse tipo de infraestrutura. Empresas que se preparam desde já tendem a ganhar vantagem competitiva”, avalia o executivo da Onda Finance.
Perspectivas
Com a entrada em vigor do acordo UE-Mercosul, exportadores brasileiros terão maior volume de operações internacionais, sendo um contexto perfeito para a adoção das stablecoins. “Mais do que uma discussão sobre criptoativos, estamos falando da modernização da base financeira que sustenta o comércio internacional”, conclui Alves.